África do Sul, Alemanha, Argentina, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, China, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Espanha, Estados Unidos, Estônia, Filipinas, França, Gâmbia, Holanda, Hungria, Inglaterra, Irlanda, Islândia, Itália, Líbano, Marrocos, Noruega, Polônia, Romênia, Rússia, Suécia, Suíça e Turquia. O que estas nações têm em comum? Seriam elas as participantes da Copa do Mundo de Futebol em 2010? Não, porque o número excederia o dos países que se classificarão para o evento, exatos trinta e um, e a lista acima enumera trinta e dois. Ou seria o quorum de uma importante votação numa assembléia da ONU? Não. O que fez com que ficassem lado a lado foi o recente desastre aéreo envolvendo o jato da Air France. Pertenciam às nações referidas acima as vítimas deste mais novo episódio. Isto sim é que é a globalização da morte!
E que relação! Desde o atentado às Torres Gêmeas, em Nova Iorque, e da onda gigante que arrasou tantos locais banhados pelo Oceano Índico em 2004, não me lembro de algum episódio envolvendo pessoas de tão distintas origens. Claro que, nestes casos, morreram muito mais pessoas. Aliás, o tsunami nem deveria entrar aqui como comparação. Não se podem opor algumas dezenas, ou mesmo milhares, às quase duas centenas de milhares que pereceram no Índico.
Mais uma vez, solidarizo-me com os parentes e amigos das vítimas neste momento tão doloroso, etc., etc., etc... Mas, novamente, discordo quanto ao emprego do termo tragédia para este tipo de acontecimento, ainda que largamente empregado pela grande imprensa e pelos comentaristas mais afoitos e vulgares. Tragédia, para eles, parece ser apenas mais uma palavra pertencente a uma escala iniciada por acidente, seguida por desastre e catástrofe e concluída por ela, a tragédia, tornada uma espécie de superlativo de todos os males. O que não passa de uma bobagem, como não me canso se referir. Tragédias envolvem culpas a serem expiadas, transgressões que precisam ser punidas para a restauração da justiça, divina ou humana. Considerar um desastre aéreo como trágico só seria possível se, ao mesmo tempo, criticássemos nos homens seu desejo de voar e o uso de aviões, como provas de sua soberba, arrogância, como se tivessem desafiado os elementos e por tal merecessem ser punidos. O que, convenhamos, é uma grande tolice.
Um aspecto curioso a ser notado é que o interesse da população brasileira quanto ao caso já começa a diminuir. Até algumas piadas já estão circulando como aquela que se refere à tecnologia francesa não ser à prova d’água...
Porém o que mais chamou minha atenção em todo este caso foi a resistência que os peritos em aviação têm manifestado em responder uma simples pergunta: quer dizer, em suma, que se um raio atingir um avião, no meio de uma turbulência, ambos derrubam o aeronave? Por que não falam com todos os ff e rr? Medo de que embarquemos? Que fujamos de tão frágeis estruturas? Parece ser isso. Lembra aquela história, no fundo, de que os aviões e os besouros voam, é fato, mas não peçam para que a Física explique, que ela não tem respostas. E já decidi que só levarei a sério o especialista que disser, para todo mundo ouvir: voar com mau tempo é, sim, perigoso; raios e turbulências, de fato, podem derrubar um avião. Chega de meios termos, num momento destes!
[A versão original desta crônica foi publicada no jornal A Notícia, de Leme,SP, em 7 de junho de 2009.]
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