domingo, 26 de julho de 2009

Festival ou funeral?

O Festival de Inverno de Ouro Preto foi, por décadas, um dos eventos culturais de maior importância no país. Para ele vinham artistas e público das mais diversas partes do Brasil e do exterior. Algumas apresentações, peças e oficinas tornaram-se lendárias, e o número de inscritos para muitas atividades superava em muito o de vagas. Este quadro durou, seguramente, até alguns poucos anos atrás, quando a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), que cuidava do festival, desentendeu-se sabe lá com quem e montou um outro evento em Diamantina. De lá para cá, a decadência mostrou-se visível, ainda que não acentuada. E, neste ano, a situação revelou-se traumática. Poucos espetáculos, muitos artistas desconhecidos, oficinas entre passáveis e sofríveis e um sensível esvaziamento de espectadores e participantes.
O motivo, alegado, para a edição deste ano ter sido muito abaixo de passável, foi, segundo os organizadores, a crise mundial. Poucas empresas teriam encampado o patrocínio e dado menos dinheiro que o esperado. Vá lá que isto seja verdade. Todavia nada justifica o fato de que a programação completa somente foi divulgada no exato primeiro dia do festival. Assim, nem quem quisesse vir poderia estar por aqui. Faltou-se apenas culpar a gripe H1N1, a outra vilã da vez, pelo pouco comparecimento de público e artistas...
Está bem, não sejamos tão duros. Se faltou dinheiro, poderiam caprichar nos cuidados gerais, certo? Na valorização dos artistas regionais, etc. Pois é, isto também não ocorreu.
O som era péssimo, a ponto dos próprios técnicos queixarem, bem como da acústica do local e do palco. Em suma, ou tinha-se barulho, ou uma chiadeira miserável. Num espetáculo de dança, por sinal, o som foi interrompido durante toda uma cena!
Os sanitários químicos eram insuficientes, mesmo com a reduzida audiência – e neste ponto, até que foi bom: não quero nem imaginar o resultado de uma multidão tendo a seu dispor apenas doze cabines.
Quanto aos artistas locais e regionais, que são muitos, não tiveram o destaque que mereciam. Nem mesmo quando eram as estrelas da noite. Ou apresentavam-se longe do palco principal, em horários inexequíveis, ou tinham ordem de deixar o palco logo depois do espetáculo, sem bisar uma vez sequer. E, à meia-noite, pouco mais ou pouco menos, encerrava-se completamente o espetáculo, quando, pela tradição, o evento estendia-se madrugada a fora.
Os únicos pontos positivos a serem destacados foram três. Em primeiro lugar, a mudança do palco principal, da combalida Praça Tiradentes para a nova Praça da UFOP, junto ao centro de convenções, no Pilar. Uma boa medida para preservar os monumentos do centro da invasão de uma massa saltitante, gritante e dançante. O segundo ponto foi a ótima apresentação daquele estupendo grupo teatral que é o Galpão, adaptando de maneira circense a história de Till Eulenspiegel, uma mistura de Pedro Malasartes e Macunaíma alemão. Ótimos, como sempre, e brindando a cidade com uma encenação que recém estreou em Belo Horizonte. E, por fim, a apresentação daquele jovem mestre do violão que é Yamandú Costa. Perfeito, simpático, brilhante.
No mais, foi tudo muito fraco e triste. O ácido bom humor ouropretano sequer poupou, em represália, o nome do festival. Era comum ouvir as pessoas perguntarem umas às outras o que estavam achando do “Funeral de Inverno”.
Esperemos que fique só na blague, pois o Festival, quando bem feito, é ótimo. Mas o clima geral era de melancolia. Fim de festa. Quase velório. O que é uma pena...

[Esta crônica foi originalmente publicada no jornal A Notícia, de Leme, SP, em 25 de julho de 2009]

Gringos

Há alguns dias, um antigo professor meu, que se tornou um grande amigo, convidou-me a acompanhá-lo numa visita a algumas igrejas de Ouro Preto. Ele estava recebendo um grupo de universitários norte-americanos em visita ao Brasil, estudantes de português que quiseram testar seus conhecimentos da nossa língua in loco. E, ao mesmo tempo, conhecer um pouco do país. O grupo era capitaneado pelo professor deles, que organizara a viagem segundo um método bastante incomum para nós. Geralmente, nestes casos, os alunos são hospedados num único lugar, pousada, hotel ou albergue, e sua interação com os habitantes locais acaba bastante reduzida. Talvez prevendo tal possibilidade, o que ele propôs era algo diferente: dividiu-os em duplas e cada uma delas deveria se hospedar numa república estudantil diferente. E, mais do que isto, deveria atuar de alguma maneira na cidade. Como, nestes dias, está ocorrendo o Festival de Inverno, não foi difícil arrumarem algo para fazer, e se inscreveram como monitores nalgumas das atividades propostas pela organização do festival. Resumindo: a redoma que geralmente é posta sobre os estudantes em viagem, isolando-os do resto do mundo, foi estilhaçada. Vê-se, portanto, o quão arrojada foi a aposta.
Naquela tarde de caminhadas e visitas, o professor norte-americano confidenciou-nos que sua boa intenção não se cobrira dos êxitos que imaginara. Se, por um lado, a fluência em nossa língua melhorara, e o contato com a população local tornara-se efetivo, a familiaridade com a mesma, digamos, assim, tornara-se excessiva: alguns namoricos começaram a surgir, as bebedeiras noturnas ficaram a cada dia mais comuns, e o cronograma das atividades se ressentia disto: não se galga uma ladeira com facilidade e rapidez quando o corpo padece dos excessos de uma noitada. E a atenção e a concentração vão para o espaço. Em suma, o tiro não saiu pela culatra, mas a expulsão do cartucho feriu o atirador...
Sua principal queixa era ante ao fato de que o que deveria ser uma viagem de estudos estava se convertendo numa espécie de Spring Break Vacation (“férias de primavera”, em tradução livre), aquela semana ou duas em que os estudantes norte-americanos vão ao México ou ao Caribe atrás de festas, noitadas, bebidas, drogas e sexo, como muitos filmes mostram. O mesmo que nossos estudantes secundaristas fazem em Porto Seguro, BA, na “semana do saco cheio”. Ou melhor, são os nossos que os copiam, com os mesmos resultados. Mas com uma grande diferença. Lá, são universitários, maiores de idade, livres para fazerem o que bem entendem. Aqui, secundaristas e menores de idade, deixados livres por seus pais, mas não pela lei, que, todavia, nada faz para coibir excessos. E, depois, os norte-americanos é que são hipócritas...
Voltando ao grupo em visita, chamaram-me a atenção dois fatos. Em primeiro lugar, a extrema variedade étnica e cultural dos seus componentes. Dos quatorze rapazes e moças, somente dois eram gringos legítimos. Os demais eram negros, mulatos, hispânicos, ítalo-americanos. E havia até mesmo um rapaz de marcadas características árabes, além de um pouco de sotaque. Em suma, o registro de uma diversidade que raramente vemos por aqui, em nossas universidades. E eles é que são racistas!
Em segundo lugar, impressionou-me o aspecto quase infantil de todos eles. Havia momentos em que pensava estar lidando com meninos e meninas do primeiro ou segundo ano do ensino médio: o mesmo olhar meio perdido, o mesmo ar preguiçoso, o mesmo desinteresse por tudo, ou quase tudo, que não sejam eles próprios. E aquela crassa ignorância de todas as coisas que não surgiram no mundo junto com sua geração, ou pouco depois.
Neste ponto, até que fiquei animado. Nossos universitários, se não são mais maduros, pelo menos procuram ser. Ou fingem muito bem. Afetam mais conhecimentos, elaboram discursos mais articulados, povoam de jargões os seus diálogos. E fazem poses meditativas, sérias, inquiridoras. Por isso, poderíamos até dizer que, na aparência pelo menos, os nossos se saem melhor que os deles.
Portanto, devemos comemorar! Pelo menos nesta matéria tão pequena, podemos ver os Estados Unidos se curvar ao Brasil...

[Esta crônica foi originalmente publicada no jornal A Notícia, de Leme, SP, em 18 de julho de 2009]

A Biblioteca de Alphonsus

Quem visita a confortável casa do poeta Alphonsus de Guimaraens (1870-1921), o Pobre Alphonsus, em Mariana, percorrendo suas salas e quartos transformados em museu, observando os móveis, os adornos, imaginando como fora a sua vida e a da família, muitas vezes não percebe uma preciosidade, meio oculta, em meio às antiqualhas quotidianas, ainda que de um passado nem tão remoto. Entre os muitos cômodos daquele solar, existe uma antiga alcova, que encerra, aos olhos dos mortais comuns, a biblioteca do autor de Ismália. Ali estão as fontes, mais do que a da vida, do Parnaso e dos botequins dos quais ele bebeu.
Soube, por gente confiável, que sua biblioteca encontra-se inteiramente catalogada. Quanto ao acesso ao público, não conheço suas regras. Em todo caso, acredito que ela deva se tornar mais conhecida, pois, certamente, o estudo daquele acervo daria ótimos frutos a todos os interessados na vida e na obra do poeta. É claro que tal empreita rodeia-se de alguns problemas. Acervos familiares, geralmente, são desbaratados. Neste caso, as dificuldades se agravam em razão da vasta prole que teve o poeta: vai um livro para um filho, outro para uma filha, um se perde na mudança, outro emprestou-se ninguém sabe a quem. Muitas vezes, uma leitura passageira imortaliza-se numa estante. Noutras, a referência capital de uma vida desaparece sem deixar rastro. Entretanto, há uma grande possibilidade de que muitas leituras que inspiraram Alphonsus ainda estejam por ali.
Assim, pergunto-me, por que não cotejarmos os livros, os anos em que vieram ao prelo, frente à produção coetânea do poeta? O que, por exemplo, ele teria lido, ou supostamente lido, à época da publicação do Setenário das Dores de Nossa Senhora, Câmara ardente ou Dona mística? Quais livros se juntaram ao seu acervo antes que Kyriale e Mendigos fossem publicados? Em suma, o que lia Alphonsus enquanto produzia sua obra?
Tais questões, à primeira vista, parecem um preciosismo. Um luxo para pesquisadores desocupados, locatários da torre ebúrnea onde vivem os poetas. Todavia elas são, de fato, a chave para a compreensão de todo o pensar e fazer poéticos de Alphonsus. Pois assim como um pintor retrata aquilo que vê (pelos olhos de outros seus confrades e nem tanto pelo que observa a olho nu), que um músico compõe a partir do que escuta ( mais dos mestres e de seus contemporâneos, menos do ramerrão das ruas), um homem de letras escreve, justamente, a partir delas próprias, daquilo que lê. Assim foi e assim sempre será. As ásperas paisagens cantadas por Cláudio Manoel da Costa, eram as da Arcádia, mítica e literária: um registro poético universal, não um relatório topográfico local. E as musas de Gonzaga – antes de Marília, contam-se outras – eram muito mais um tema, do que uma verdade, plena e plana: um recurso da poesia, não um retrato de uma senhorinha local. E o mesmo se aplica a quem se queira, de Homero a Basílio da Gama, de Virgílio a Santa Rita Durão, de Ovídio a Silva Alvarenga, de Catulo a Alvarenga Peixoto, dentre muitos outros, em tempos e países para além das Minas dos setecentos.
Conhecer a biblioteca de Alphonsus é conhecer Alphonsus e sua obra. E, portanto, espero que alguma alma curiosa esteja se ocupando daquele importante acervo. Em todo caso, não custa sugerir. Fica, aqui, assim, este manifesto de ouro: que venham outros, com suas ferramentas referencias e teóricas, extrair o que se encontra oculto entre as prateleiras de uma velha casa marianense. O povo anseia pelos resultados.

[Esta crônica foi originalmente publicada nos jornais A Notícia, de Leme, SP, em 11 de julho de 2009, e O Inconfidente, de Ouro Preto, MG, em 25 de julho de 2009 (www.oinconfidente.com.br/website/Text.aspx?id=443), edição online]

O Fantasma pálido

É quase impossível acrescentar alguma coisa a mais ao muito que foi dito sobre a vida e a morte de Michael Jackson. Nos últimos dias, em qualquer meio de comunicação, discutiu-se sua música, seus escândalos, sua difícil infância, as alterações em sua aparência, sua situação financeira, etc. Tudo, absolutamente tudo, foi vasculhado, exposto, comentado. Se o seu corpo passou por duas necropsias distintas, sua história pessoal foi retalhada em mil peças, exibidas com a rudeza das carnes nos ganchos dos açougues.
Mesmo assim, não posso me furtar a tecer alguns breves comentários quanto à vida do astro. Em primeiro lugar, que cabecinha fraca ele tinha, para não dizer pior. Aquilo de morar num parque de diversões, francamente. Até a arquitetura lembrava a da Rua Principal dos parques da Disney, réplica de tempos dourados, como os enxergam os norte-americanos mais conservadores. Não é contraditório para um símbolo da rebeldia, como foi dito, querer viver em supostos dias melhores, nos quais, todavia, se vivesse neles, tudo o que ele foi, fez ou teve lhe seria negado? Quem quiser saber como era a vida de um negro nos EUA do início do século XX – a época dos sonhos dos reacionários – leia o romance Ragtime, de E.L. Doctorow. Em segundo lugar, fico pensando como alguém pode ser chamado de inteligente, gênio, o que quiserem, sendo que deu aos filhos os nomes de Prince Michael e Prince Michael II.
O que eu gostaria de comentar com mais cuidado acerca deste assunto é que, em minha opinião, Michael Jackson envelheceu mal. Não digo só física e mentalmente – há quem afirme, por outro lado, que neste último campo ele sequer cresceu: pensava e comportava-se como uma criança. Quando digo que ele envelheceu mal é porque sua figura acabou por demais caricata. Reconheço que muitas de suas coreografias e músicas foram inovadoras em seu tempo. Mas revendo e tornando a ouvir algumas delas, pareceram-me por demais datadas: tiveram seu sentido em sua época, mas hoje, na minha opinião, têm um ar muito afetado, amaneirado, pouco natural, quase mecânico. Vendo algumas cenas de espetáculos, clipes, etc., tive a impressão de assistir a uma grande marionete acionada por cordas invisíveis. Que se move e se agita com presteza e eficiência tão demasiadas que seus movimentos sequer parecem humanos. Noutros momentos, lembravam algo completamente falso e exagerado. Não como as imagens agitadas de uma comédia do cinema mudo dos anos 1910 ou 1920, mas uma paródia moderna daquelas imagens, muito mais frenética que a versão original e, portanto, falsa. Da mesma maneira, seus trejeitos, poses e gesticulação, de evidente conotação sexual, vão perdendo o seu sentido na medida em que ele envelhecia e sua figura, cada vez mais anódina, sugeria justamente a supressão de toda sexualidade. Algumas vezes, tive a impressão de assistir a uma dança lasciva, sim, mas praticada por um eunuco: ou seja, um imenso paradoxo entre a intenção e a natureza.
Em suma, acho que ele retirou-se de cena no momento certo. E que isto sirva de consolo aos fãs. Caso realizasse a longa temporada de espetáculos prevista, e fracassasse, sua imagem ficaria arranhada para sempre. Caso triunfasse, talvez não fosse tanto pelos seus méritos, mas sim pela boa vontade de seus admiradores, saudosismo, curiosidade de assistir a uma relíquia dos anos 1980 ainda em atividade. Mas, em todo caso, a ilusão de um eventual sucesso é sempre melhor do que a dureza da realidade e os riscos que ela nos apresenta.

[Esta crônica foi originalmente publicada no jornal A Notícia, de Leme, SP, em 4 de julho de 2009]

Sebos e histórias – Parte III: o reencontro com um amigo

Esta história aconteceu há quinze dias, pouco mais ou pouco menos.
Minha mulher procurava, havia muitos anos, um livro de poesias do dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956). Ela tivera um exemplar, que emprestara certa vez a um amigo, o qual jamais lhe devolveu o livro. Quem gosta de ler já passou por isso. Temos um livro de que gostamos, o emprestamos a alguém em quem confiamos, e eis que um dia perde-se tanto um quanto outro. Mas, no caso dela, o exemplar era sobremodo precioso por ter sido um presente de uma pessoa muito querida e que lhe incentivara no hábito da leitura na adolescência. Em suma, não era só o conteúdo que lhe era caro, havia todo um aspecto afetivo envolvido.
Desde que me contou a história de como o perdera, passei a procurá-lo em todo sebo, saldão de livros ou livraria que visitava. Encontrei várias edições, mas nunca aquela de que me falava. E que fiz questão de que descrevesse. Era, segundo ela, um livro de capa vermelha, com letras brancas e pretas e nenhum outro enfeite, fotografia do autor, ilustração, nada. Na capa, somente o nome do escritor e o título: Bertolt Brecht. Antologia Poética. E, para piorar as coisas, lembrava-se de que fora publicado por uma editora pequena e pouco conhecida. Como disse, procurei por anos o livro, e encontrei as mais variadas edições e versões da obra. Uma de capa amarela, outra amarela e vermelha, outra branca, outra ainda com o retrato do autor, outra com ilustrações. Mas nada daquela que ela queria.
Eis que, finalmente, encontrei um livro, no sebo recém aberto de Leme, na rua Newton Prado. Mal acreditei quando o vi. Sim, só podia ser aquela edição a que tanto buscava. Comprei-a imediatamente.
Voltando para casa, tirei-o da pasta, escondi-o atrás das costas e pedi à minha mulher que estendesse as mãos e fechasse os olhos. E entreguei-lhe o livro. Quando ela reabriu os olhos e viu-o em suas mãos, emudeceu, engoliu em seco e lágrimas correram por seu rosto. Estava comovida, exultante de felicidade. Fiquei até um pouco aborrecido, afinal, já tinha lhe dado outros presentes muito mais caros e raros e a reação, em tais ocasiões, não chegara aos pés da que manifestou diante daquele livro.
Mas, claro, lembrei-me, aquele não era só um livro. Era um verdadeiro amigo com quem se reencontrava. Tanto isto era verdade que bastou folheá-lo e o volume, quase naturalmente, abriu-se na página onde estava a poesia preferida por ela, Perguntas de um operário que lê, que, como soube, foi lida por ela, inclusive, em seu discurso de formatura no colegial.
E eis que aquele seu amigo, de papel, tinta e cartolina, retornava ao seu convívio como se estivesse separado por uma longa ausência. Pergunto-me como há pessoas que ainda dizem não gostar de ler. O quanto perdem com isto! Até a possibilidade de um reencontro afetivo, e inesperado, como o que ela experimentou. Livros são, verdadeiramente, grandes amigos. Sempre o soube. E fiquei feliz naquela tarde, quando minha mulher confirmou-me, de forma tão clara e tão bela, esta verdade.

[Esta crônica foi originalmente publicada no jornal A Notícia, de Leme, SP, em 27 de junho de 2009]