Eis que finalmente terminou uma das mais sórdidas campanhas políticas da história do Brasil. E concluiu-se da melhor maneira possível: com a vitória da candidata que foi vítima de calúnias, mentiras, boatos maliciosos, além de virulentos e torpemente fantasiosos ataques pela imprensa e pela internet.
Os neo-reacionários não pouparam seus esforços no bombardeio à candidata do governo. Gente que se orgulhava do seu livre-pensamento, correu para agarrar santinhos, beijar imagens sacras e mãos de bispos, levando-os para o seu lado, de cambulhada. Antes orgulhosamente ateus em seus salões sofisticados – ou nem tanto – regozijaram-se quando até o Papa pareceu dizer algo contra a, enfim, vencedora do pleito. Até o Papa, considerado excessivamente conservador por uma imensa parte de seu rebanho, passou a ser um modelo de opinião a ser seguido pelos auto-intitulados bem-pensantes, os mesmos que, publicamente pouco antes, consideravam-no uma fera da ortodoxia. Ou simplesmente o ignoravam, envolvendo-o nos fumos de um marxismo do qual comungaram no passado, segundo o qual, aliás, o sumo-pontífice só tem alguma coisa a dizer aos seus prosélitos, não à imensa massa das gentes. Afinal, “quantas divisões militares tem o Papa?”.
Se o novo governo que assumirá em 1º de janeiro de 2011 será bom, só o tempo dirá. Os indícios de que poderá ser, são muitos e auspiciosos. Pôs-se, de fato, um quadro técnico na Presidência, em lugar de um político que posava de técnico, seu adversário, e em sucessão a quem não era nada técnico, só político. O que já é um grande avanço. Além disso, não teremos a quebra definitiva da cadeia de comando, nem a suspensão dos programas de governo que têm dado tão certo para milhões de pessoas neste país. Ficam faltando só alguns ajustes e abre-se espaço para mais inovações. E, cá entre nós, por quantas inovações esperamos! Com uma, pelo menos, já contamos: uma mulher governando 190 milhões de habitantes de um país que é o quinto em tamanho no Mundo e cuja economia encontra-se entre as 20 maiores, é algo francamente inédito. E interessantíssimo de se observar.
Ficam aqui, portanto, meus sinceros votos pelo sucesso da Presidente eleita, desejando-lhe que melhore ainda mais um país que, finalmente, parece ter tomado um rumo certo. Além de minha ampla gratidão por ter tirado do cenário político nacional, por pelo menos quatro anos, alguém de tão triste carantonha, que tinha urucubaca, ainda que posasse de santarrão, além de mau-humor e falta de espírito esportivo. Além de muito frágil, física e psicologicamente, como se viu pelos danos causados por uma bolota de papel lançada em sua calva. Não, o lugar de um homem destes não é o Palácio da Alvorada, nem mesmo o dos Bandeirantes: é, sim, uma bolha de plástico asséptica numa clínica de saúde ou uma estufa climatizada. Ufa! Não ter que pensar nesta orquídea ou mata-pau da política brasileira pelos próximos quatro anos, já é um presente e tanto!
[Publicado originalmente no jornal A Notícia, de Leme, SP, em 6 de novembro de 2010].
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