sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Novas considerações acerca da educação “tucana”

Desde 1995, ou seja, há doze anos, o governo do Estado de São Paulo vem sendo conduzido por uma única agremiação política que se perpetua no cargo por meio das mais improváveis relações. Inimigos figadais tornaram-se seus aliados de primeira hora; simpatizantes históricos foram relegados ao limbo; tudo isso em prol das alianças mais vantajosas, que garantissem a um grupelho sua permanência no poder. Dessa maneira, o que era para ser uma representação democrática, mais e mais foi se convertendo num reino, governado por uma oligarquia local, com ares dinásticos, com direitos de sucessão problemáticos, mas nem um pouco como veremos. Com isso, já lá se vão doze anos de arbítrio exclusivo do PSDB.
Durante este longo reinado, assistimos ao “Roubo-Anel”; aos buracos, às crateras do Metrô, engolindo gente; a um governador que posou para as câmeras, qual artista de telenovela, negociando, pessoalmente, com um seqüestrador, o papel da vítima, riquíssimo empresário, mas deixando perecer o réu, caçado que foi, qual animal ferido, e abatido, como fera sangrenta.
Quase nada mudou nas estradas estaduais. Pagamos por um pedágio muito mais alto, sobre estradas que, todo mundo sabe, eram excelentes. E curiosamente sob a nova privatização do atual governo, revelaram-se muito mais baratas quanto aos custos daquelas praticadas pelo seu emplumado antecessor.
E não bastasse isso, eis o escândalo da educação. Além de a maioria dos estudantes paulistas do Ensino Médio, seja público ou privado, terem sido rejeitados nos exames nacionais que provam sua competência, eis que somos informados de que no estado do Acre — uma quase ficção no pensamento dos paulistas — tem-se um desempenho muito melhor de seus alunos no mesmo exame, e por um motivo bem claro: os professores de lá ganham muito mais que os daqui.
Em suma, ainda que muitos se queixem de que vários estados são mal representados politicamente (poucos deputados e poucos senadores em relação à área abrangida e o número de eleitores), um mal muito pior ronda a democracia brasileira, partindo de um estado que se diz predominante na política nacional: o descaso pela educação, o pagamento vil aos professores, cuja principal prova é atual prática salarial do governo do estado de São Paulo.
Tal descalabro já era esperado desde a última publicação dos resultados do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). Naquela ocasião os especialistas foram unânimes em dizer que, de fato, o baixo desempenho dos alunos devia-se à pouca motivação dos professores. Motivação esta que, sabidamente, seria notável, desde que bem remunerados, como atestam os estudos e o próprio bom senso.
Portanto de nada valem medidas paliativas de reforma educacional propostas pelo governo endêmico da social-democracia paulista, na última década, frente a realidade nacional. A verdade é que sempre faltou um projeto, real e específico, para o setor educacional. Como, ao fim de tantos anos, com amplos poderes políticos, não foi implementada uma política educacional eficaz em um estado tão mais privilegiado de recursos do que o Acre?
Numa administração que se orgulha de dizer que saneou as contas públicas, é de se esperar que a mesma aplique seus fundos restantes em uma política efetiva para a Educação. Já que não temos segurança nem saúde, que a atual gestão se ocupe com mais seriedade da formação dos futuros cidadãos.

[Publicado originalmente no jornal A Notícia, de Leme, SP, em 20 de outubro de 2007].

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