quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Uma campanha positiva

O texto da semana passada [4 de abril de 2009] foi uma reprodução de um artigo meu publicado no jornal Folha de S. Paulo em 27 de março último, na seção Tendências/Debates. Reproduzi-o a pedido de alguns amigos e leitores que, sabendo da publicação, não conseguiram lê-la a tempo.
Ele foi resultado de uma visita de campo a um distrito de Mariana, MG, realizada por mim e por colegas do curso de especialização em Cultura e Arte Barroca da Universidade Federal de Ouro Preto. Lá constatamos o iminente risco de queda de algumas igrejas históricas, patrimônios artísticos nacionais ameaçados de ruína. Indignados, tomamos as providências possíveis: escrevemos uma carta denunciando os fatos e a enviamos às autoridades competentes.
O barulho que criamos rendeu bons frutos. A Folha de S. Paulo se interessou pelo caso, concedeu espaço para o meu artigo, e ainda fez uma longa matéria, publicada em 6 de abril, tratando do descaso dedicado a alguns velhos templos mineiros, matéria a qual, remotamente, assessorei. E tanto o artigo quanto a reportagem tornaram mais evidente ao público aquela situação, repercutindo favoravelmente pela causa. Soube, aliás, por uma amiga que mora em S. Paulo, que a tevê interna do metrô exibia, nos vagões, a todo momento, uma chamada sobre a situação e remetendo à matéria do jornal.
É claro que este é só um trecho do caminho a ser percorrido. Muito mais há que ser feito. Mas, pelo menos, demos o primeiro passo.
O escandaloso em toda esta situação a respeito do patrimônio é que o seu abandono só se agrava. Em meu artigo, alertei para o fato de que os templos em questão encontravam-se em ruínas iminentes porque, também, distantes do centro da cidade, da turística Mariana. Pois é, para minha surpresa, eis que na semana seguinte surge a notícia de que a Igreja de São Francisco de Assis, no coração daquela cidade e um dos seus principais cartões-postais, foi interditada, sob risco de desabar! É inacreditável. E, o mais absurdo é que, segundo a reportagem, tal medida foi levada a cabo depois de vários meses, pelo fato das autoridades e funcionários do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), “não encontrarem os responsáveis pela administração do prédio”. Ora vejam! Dizia um amigo meu que, na sua opinião, todos os ficais do IPHAN ou eram cegos ou doentes dos olhos: tudo se passava na frente deles que, aparentemente, nada viam. Deveríamos, então, acrescentar que, além de cegos, são também surdos: bastaria perguntar a qualquer transeunte da cidade que aquele, prontamente, daria a resposta, quando não acompanharia o fiscal até a própria casa de um dos responsáveis. Agora fica fácil entender porque o patrimônio histórico nacional sofre tanto. Quem deveria vigiar, não vigia corretamente.
Nossa parte, ao menos, estamos fazendo. E o leitor deveria, também, se manifestar sempre que diante de um fato desses. Ou fazemos o que nos cabe, ou num futuro bem próximo não teremos nem sombra do nosso passado. Corremos o risco de que as próximas gerações pensem que nosso país foi construído anteontem...

[Publicado originalmente no jornal A Notícia, de Leme, SP, em 11 de abril de 2009].

Nenhum comentário:

Postar um comentário